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Cuiabá (MT), 23 de outubro de 2017 - 08:37

POLÍCIA CIVIL

24/07/2017 13:52

Polícia Civil investiga desvio de R$ 23 milhões de cooperativa

Assessoria | PJC-MT

Investigações do desvio de R$ 23 milhões de uma cooperativa de produtores de cana de açúcar, em Campo Novo do Parecis (384 km a Noroeste de Cuiabá), levaram ao bloqueio, junto à Justiça, de todos os bens do principal operador do esquema milionário, o ex-gerente financeiro da cooperativa, Nivaldo Francisco Rodrigues.

O inquérito que tramita na Delegacia da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT) do município apura crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança e mediante fraude, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os atos eram cometidos por uma associação criminosa que se formou dentro da empresa por empregados e comparsas alheios aos quadros da cooperativa, entre 2011 e junho de 2017.

Um mês depois do desligamento do suposto chefe do esquema criminoso, ocorrido em 08 de maio de 2017, ainda houve uma tentativa de desvio da cooperativa. O suspeito ligou para a empresa solicitando que fosse realizado um pagamento de R$ 467 mil em favor de uma pessoa.

No último dia 17 de julho, o delegado da PJC, Adil Pinheiro de Paula, representou pela prisão preventiva do suspeito, indisponibilidade dos bens e recursos, quebra de sigilo financeiro, fiscal e bancário de Nivaldo Francisco Rodrigues e sua esposa, A.R.D.R.

Em decisão, no dia 21 de julho, a Juíza de Direito, Claúdia Anffe Nunes da Cunha, concedeu o bloqueio dos bens, e a quebra de sigilo financeiro, fiscal e bancário dos investigados. Foram bloqueados 15 imóveis em Campo Novo do Parecis, sete bens localizados em Juína, Cuiabá e Paraná, além de recursos financeiros, automóveis e gado.

Na decisão, a Justiça indeferiu o pedido de prisão preventiva, mas aplicou medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico por meio de uso de tornozeleira; prazo de 24 horas, a contar da notificação, para apresentar comprovantes de endereço que poderá ser localizado; não se ausentar do município, em nenhuma hipótese, sem prévia autorização judicial; comparecer mensalmente em juízo; comparecer, sempre que for intimado, a todo os atos processuais tanto perante a autoridade policial, como em juízo; proibição de frequentar a cooperativa, bares, festas, forró e congêneres enquanto durar o processo.

"A Polícia Judiciária Civil vai aprofundar as investigações, pois há fortes indícios da participação de outras pessoas, além das empresas de fachada usadas para desviar o dinheiro", informou o delegado Adil Pinheiro.

A cooperativa vítima tem 46 cooperados, divididos em 19 famílias, sendo quase a totalidade dessas famílias residentes Campo Novo do Parecis e constituem parte importante dos geradores de renda e emprego da cidade.

O delegado Adil Pinheiro de Paula, no pedido à Justiça, descreve como semelhante à atuação implementada pelo investigado Nivaldo e a organização criminosa, os esquemas amplamente noticiados nas investigações que envolvem grandes estatais do país (Lava Jato). “Nivaldo dilapidou o patrimônio da Cooperativa da mesma forma que os políticos do Brasil dilapidaram das nossas Estatais. A ganância de Nivaldo era tanta que os crimes deixaram rastros. Ele não titubeou em desviar milhões e adquirir, de forma desenfreada, um patrimônio enorme".

Buscas

Durante buscas realizadas com autorização da Justiça, no dia 12 de julho, a Polícia Civil apreendeu farta documentação que prova o enriquecimento ilícito do investigado, Nivaldo Francisco, nos últimos anos. "Encontramos provas da movimentação de milhões de reais em curto espaço de tempo. Aquisição de muitos imóveis, rurais e urbanos, além de automóveis, contratos de aluguel, anotações sobre a construção e imóveis com gastos na casa de centenas de milhares de reais", disse o delegado.

Conforme o delegado, a documentação será periciada para determinar a relação dos bens de Nivaldo e familiares que não constam na declaração e imposto de renda. "Ou pelo menos que estão subavaliados, o que mais tarde pode configurar crime tributário, a depender de mais investigações", completa.

As investigações seguem em sigilo decretado pela Justiça.


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